Aos 17 anos, o atleta Artemio Wellington Nascimento dos Santos, da Associação de Moradores do Bairro São Joaquim (AMCOSAJ), divide a sala de aula com treinamentos. O objetivo, de acordo com ele, é correr cada vez mais rápido, chegar ao topo do ranking brasileiro na categoria sub-18 e, de quebra, levar orgulho para família.
Artemio Wellington mora com a mãe e mais dois irmãos no bairro São Joaquim, área de intervenção do Programa Lagoas do Norte. Ele é um dos 40 atletas da equipe que treina de segunda a sexta-feira no Parque Lagoas do Norte. Aos sábados, quando não há competições, os treinamentos acontecem na pista de atletismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
O menino de 17 anos começou no atletismo ainda na escola. Lá, foi convidado para integrar a AMCOSAJ. Daí, vieram as primeiras competições, as primeiras medalhas.
“Comecei a gostar da corrida, dos resultados, das atividades. Conheci novas pessoas e minha cabeça começou a abrir, a ver oportunidades. Melhorei bastante na escola e hoje tenho mais vontade de estudar”, conta.
A melhora na escola acontece, de acordo com ele, paralela à queda no tempo na prova dos 800 metros rasos, sua especialidade. Há duas semanas, durante o Campeonato Piauiense Caixa de Atletismo sub-20, ele levou a medalha de ouro ao cruzar a linha de chegada com o tempo de 1min57s09. O índice é abaixo do de Gustavo Santos, líder do ranking brasileiro da prova.
“O Artemio vem evoluindo nas competições, melhorando o tempo. Nas provas de meio fundo, com a dos 800 metros, é preciso ter velocidade e resistência. Isso ele tem”, afirma o técnico da AMCOSAJ, Sebastião dos Santos. Ele lembra que, no ano passado, o atleta conquistou duas medalhas de prata no Norte Nordeste sub-18: uma nos 200 metros com obstáculo e outra nos 800 metros rasos.
Velocidade e resistência se somam aos treinos, que são divididos em dois turnos: primeiro pela manhã e depois no final da tarde, quando retorna da escola. “Todos os resultados que consegui até aqui são resultado de treino e dedicação. Sempre quis vencer no esporte e trazer orgulho para minha família. E hoje consigo isso”, afirma o atleta.
Artemio, aliás, não é motivo de orgulho só para família. “Dois dos meus amigos treinam aqui comigo. O atletismo mudou minha infância e me fez mudar dos meus amigos”, finaliza.



