A frota de veículos de Teresina cresceu 42,2% no período de 2010 a 2014, segundo levantamento realizado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em números absolutos, a capital conta com 409.770 veículos, o que significa que existe um veículo para cada dois teresinenses.

 

O resultado deste crescimento acelerado são engarrafamentos, estresses no trânsito e constantes acidentes. Visando solucionar esses problemas, a Prefeitura de Teresina tem elaborado ações e programas de mobilidade urbana que objetivam melhorar o sistema de transporte coletivo e transformar Teresina em uma cidade para as pessoas, e não para os veículos.

 

Para o secretário municipal de Planejamento e Coordenação, Washington Bonfim, investir em transporte coletivo é investir na melhoria de vida da população: “Os problemas de trânsito decorrentes do aglomerado de veículos nas vias prejudicam a saúde das pessoas e atrapalham o crescimento da cidade. Portanto, resolvê-los não é apenas uma questão de conforto e bem estar, mas também um incentivo ao desenvolvimento econômico e social. Em números, um ônibus substitui 60 carros nas vias urbanas, polui 17 vezes menos, transporta 14 vezes mais e é o meio de transporte mais seguro”, explica.

 

O novo Sistema de Transporte Coletivo Urbano Integrado de Teresina prevê a expansão do sistema viário ordenadamente, priorizando o transporte coletivo urbano e melhorando a oferta de espaços seguros para os usuários. Para o seu pleno funcionamento, Teresina vai receber uma série de intervenções urbanísticas, o que inclui a construção de corredores exclusivos, oito terminais de integração e três estações de transbordo, além da melhoria nos corredores de tráfego, da duplicação e prolongamento de avenidas e da construção da Ponte da Gil Martins e seus acessos viários, o que vai permitir uma nova via de acesso Centro/Sul à zona Sudeste.

 

Para isso, serão investidos R$ 140 milhões, com recursos próprios da Prefeitura de Teresina, da União e do FGTS.

 

Novo sistema de integração

 

O sistema representa a integração completa do transporte coletivo. O novo formato pretende oferecer maior agilidade, frequência e pontualidade aos usuários do transporte público.

 

Para isso, as linhas serão divididas em três formas: alimentadoras, troncais e interterminais. As alimentadoras terão origem nos bairros e levarão os usuários até as linhas troncais, nos terminais de integração. Em seguida, as linhas troncais levarão os usuários ao centro da cidade, destino principal da maior parte da população. Já as linhas interterminais deverão transportar os passageiros de uma zona a outra da cidade.

 

O cidadão que deseja se deslocar da Vila Irmã Dulce ao centro de Teresina, por exemplo, fará o trajeto numa linha alimentadora até o Terminal do Parque Piauí e de lá seguirá em outro ônibus até o centro. Para o percurso de volta, o usuário não precisará esperar um ônibus com destino à Vila Irmã Dulce. Poderá escolher uma das várias linhas com destino ao Terminal do Parque Piauí e seguir de lá para o seu destino.

 

Dessa forma, com uma mesma passagem, o usuário fará o deslocamento de seu bairro até o centro passando por um terminal de integração. “Com o crescimento de Teresina, o trajeto dos ônibus foi ficando cada vez mais longo, para atender aos novos bairros. O novo sistema mudará essa realidade. O trajeto do bairro até a estação troncal é mais curto e, como o trajeto da linha troncal até o centro é livre, por conta dos corredores exclusivos, o teresinense vai fazer em cerca de 30 minutos uma viagem que demoraria por volta de uma hora”, observa Washington Bonfim.

 

O sistema ainda será coordenado por uma Central de Controle Operacional, que contará com um sistema de georreferenciamento, câmeras e controle semafórico inteligente. Todos os investimentos da Prefeitura de Teresina objetivam tornar o transporte público mais rápido e eficiente, sem aumentar os custos para a população.

 

Avanço na mobilidade urbana

 

A implantação dos terminais está prevista no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana de Teresina e permitirá a integração do sistema de transporte público da cidade.

 

Serão construídos oito terminais, sendo dois em cada zona da cidade: Rui Barbosa (Zona Norte), Buenos Aires (Zona Norte), Livramento (Zona Sudeste), Itararé (Zona Sudeste), Bela Vista (Zona Sul), Parque Piauí (Zona Sul), Piçarreira (Zona Leste) e Santa Isabel (Zona Leste). Mesmo tendo uma estrutura padrão, cada terminal foi idealizado levando em conta as condições climáticas da região e fazendo o uso de soluções arquitetônicas visando ao conforto da população. As obras dos terminais do Livramento e Bela Vista já foram iniciadas. Também foram emitidas ordens de serviço para a construção dos terminais do Itararé e Parque Piauí.

 

À medida que os terminais forem concluídos, eles deverão entrar em funcionamento. “Não vamos esperar que o sistema inteiro esteja pronto para começar a usufruir dos terminais já construídos. As obras estão sendo feitas em etapas para diminuir os transtornos para a população, porque é uma mudança muito grande. O sistema não engloba apenas os terminais, mas também construção de ponte e duplicação de vias, além da implantação dos corredores exclusivos para os ônibus. Com os corredores, o transporte público passará a ser feito pela via esquerda e serão construídos terminais climatizados e totalmente acessíveis no canteiro central”, destaca a Diretora de Transportes Públicos da Strans, Cintia Machado.

 

Toda a operação de integração será iniciada com a apresentação do cartão eletrônico pelo passageiro. Assim, após pegar o primeiro ônibus, fica registrado o pagamento da passagem e o cartão é liberado automaticamente para que o passageiro pegue quantos ônibus forem necessários para chegar ao destino final no intervalo de duas horas com uma mesma tarifa. O cartão integração custa R$ 6,30 e pode ser adquirido nos pontos de venda do Setut.

 

Ainda de acordo com a Diretora de Transportes Públicos da Strans, Cintia Machado, fiscais do transporte público das Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) orientarão os passageiros nos terminais a fim de facilitar a adaptação ao novo modelo. “Teresina cresceu muito nos últimos anos e já apresenta problemas típicos de cidades maiores. O trânsito e a mobilidade urbana são duas dessas questões. Por isso, a Prefeitura de Teresina está investindo na melhoria do sistema de transporte coletivo e na estruturação de outros modais, como o ciclismo. No caso das intervenções para o transporte coletivo, como são obras grandes e que implicam uma mudança no funcionamento de todo um sistema e em todo o trânsito, a administração municipal conduzirá as obras de maneira gradual, de forma a diminuir os impactos e transtornos das obras. Como a cidade cresceu, precisamos avançar na construção de um modelo de cidade voltado para as pessoas, com prioridade para o coletivo. Sob o mesmo ponto de vista, é preciso compreender que as obras de que Teresina necessita hoje, por serem de maior porte, causam mais incômodo. O que importa, no entanto, não é esse incômodo, passageiro e necessário, mas os benefícios que as obras trarão”, acrescentou.

 

Acessibilidade

 

Todos os terminais do novo sistema de integração terão garantidas as condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. No centro de Teresina, as áreas próximas às estações de transbordo de passageiros serão pontos de deslocamento de grande quantidade de pessoas. Por conta disso, a Prefeitura de Teresina deu início à elaboração do projeto de acessibilidade dos pedestres aos espaços públicos urbanos da capital. A área de intervenção abrange a zona central da cidade, formada pelo quadrante da Avenida Maranhão e das ruas Areolino de Abreu, Pires de Castro e Olavo Bilac.

 

Segundo Márcia Muniz, engenheira civil da SEMPLAN, o projeto ainda deve facilitar a acessibilidade ao transporte público por pedestres, bem como definir uma rota acessível para as áreas públicas e privadas. “Também haverá um maior estímulo ao uso dos transportes coletivos urbanos, de modo que teremos ganhos socioeconômicos com o aumento da acessibilidade de potenciais usuários”, analisa Márcia Muniz. O prazo para a elaboração do projeto é de sete meses.

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