Ampliar o diálogo com a população. Com esse objetivo, a Prefeitura de Teresina, por meio da Unidade de Gerenciamento do Programa Lagoas do Norte (UGP), participou ontem (26) de audiência pública na Escola Municipal Dilson Fernandes. A audiência foi proposta pela Câmara Municipal de Teresina.

 

“A Prefeitura de Teresina mantém um canal permanente de diálogo com as comunidades inseridas no Programa Lagoas do Norte, por meio do Comitê e da realização de fóruns e consultas públicas. Além disso, a administração municipal mantém, próxima ao prédio da administração do Parque Lagoas do Norte, a Unidade de Projetos Socioambientais, com uma equipe multidisciplinar disponível para atender toda a população. Participar de audiências públicas também é muito importante, porque amplia o debate e nos dá a oportunidade de apresentar novamente todos os benefícios propostos pelo Programa”, destacou Erick Amorim, coordenador do Programa Lagoas do Norte.

 

Durante a audiência pública, além de apresentar um panorama geral do Programa Lagoas do Norte, explicitando as ações realizadas na fase 1 e as que estão previstas para a fase 2, o coordenador Erick Amorim respondeu a questionamentos da comunidade e dos parlamentares municipais.

 

“É comum haver dúvidas e é importante que conversemos para solucionar todas as questões. A maior parte dos questionamentos se refere às intervenções previstas para a Avenida Boa Esperança. A Prefeitura de Teresina está finalizando o cadastro de todos os imóveis localizados na Boa Esperança. Esse cadastro é apenas verificarmos a situação de moradia e atividade econômica de cada família. É necessário fazer fotos para garantir a essas famílias a proteção a seus direitos e a suas atividades, caso seja necessária uma realocação. O cadastro serve também para saber quantas famílias residem em cada casa e para nortear os programas de capacitação. Nem todas as famílias serão reassentadas. Apenas o mínimo necessário para garantir a segurança das pessoas, a preservação ambiental, a obediência à legislação e a urbanização da área”, explicou Erick Amorim.

 

A senhora Maria de Jesus Oliveira Freire residia na Vila Carlos Feitosa. Na Fase 1 do Programa Lagoas do Norte foi reassentada e hoje vive no Residencial Zilda Arns. Na audiência pública, ela contou que entende a apreensão das famílias e destacou a importância de ouvir e conhecer bem as propostas da Prefeitura de Teresina.

 

“Na minha época, ninguém queria sair das casas. E a gente morava bem perto da lagoa, havia sempre o risco da casa ser inundada. Mesmo assim, ninguém queria sair. Nem eu. Minha casa era bem grande e eu vivia preocupada, com medo de alagar, mas era apegada ao lugar. Mas quando entendi a proposta da Prefeitura e visitei o lugar onde estavam construindo o Zilda Arns, compreendi que era uma boa oportunidade para a minha família. A casa era menor, mas seria minha, com documento e tudo. Meus vizinhos da Vila Carlos Feitosa se mudaram para casas perto da minha e a vizinhança não foi alterada. Moramos num lugar seguro, com saneamento e toda a infraestrutura. Todos nós estamos crescendo. Muitos já reformaram suas casas e mudaram sua atividade, gerando mais renda. A gente é muito mais feliz no Zilda Arns”, comentou dona Maria de Jesus.

 

Disposição para o diálogo

 

Na audiência pública, a representante dos moradores da Avenida Boa Esperança, Rúbia Moura, leu um documento elaborado de forma coletiva e destacou que a comunidade não é contrária ao Programa Lagoas do Norte, nem a seus benefícios: “Não somos contrários ao desenvolvimento da região, nem ao Lagoas do Norte. Apenas queremos um diálogo maior, para que todos os pontos sejam esclarecidos. Por isso a audiência pública é importante, porque nos dá a oportunidade de ouvir e de sermos ouvidos”, frisou.

 

Para o coordenador do Programa Lagoas do Norte, é fundamental que a comunidade seja ouvida pelo poder público: “O Lagoas do Norte é, principalmente um programa de saneamento. Todos os investimentos do Programa são pensados e realizados para proporcionar melhor qualidade de vida à população. Por isso, além dos recursos investidos em urbanização, saneamento, sistema de esgotamento sanitário, controle dos fluxos de água, abastecimento de água e melhoria habitacional, a Prefeitura de Teresina tem realizado ações de valorização da cultura das comunidades inseridas no Lagoas do Norte e de preservação ambiental. Todas as intervenções são feitas visando ao bem estar das pessoas. Por isso, em casos de necessidade de reassentamento, por exemplo, a Prefeitura apresenta diversas soluções, para que as famílias possam analisar com calma e decidir qual delas é melhor para o seu futuro”, ressaltou Erick Amorim.

 

Moradora da Rua 1, bairro São Joaquim, a senhora Maria José Neris da Silva permitiu que fosse feito o cadastro da sua residência e está à espera de mais informações: “A moça que fez o cadastro me explicou que não sabe ainda se a minha casa terá que sair, mas me disse que eu vou ser comunicada e que vão me apresentar várias propostas. Eu moro numa casa de tijolo, pequena, com um quarto, sala e cozinha. Para construir, minha filha comprou o terreno e nós aterramos. Se me oferecerem um lugar bom, eu vou ficar muito satisfeita. Hoje, minha filha mora na casa ao lado da minha. Se pudermos continuar sendo vizinhas, vou achar melhor ainda. Pelo que o representante da Prefeitura falou, o valor da casa que vão oferecer pra gente é 62 mil reais. Esse valor é muito mais alto que o da minha casa. Estou muito disposta a negociar”, encerrou.

 

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