No coração da zona Norte, região com maior número de terreiros de umbanda e candomblé em Teresina, o Programa Lagoas do Norte vai erguer a Praça dos Orixás, um verdadeiro monumento em homenagem à fé trazida pelos nossos ancestrais africanos. Nesta terça (3), pais, mães e filhos de santo de quinze terreiros dos bairros que compõem o Programa foram apresentados ao projeto que está sendo desenvolvido pela arquiteta Karine Tito.
A Praça contará com espaço para eventos, banheiro, estacionamento, além de esculturas em homenagem a nove orixás do Candomblé e da Umbanda. “Será um espaço para manifestação religiosa, marcado pelas cores dos orixás que ficarão na terra e na água”, disse a arquiteta.
A ideia é que a praça reflita todo o simbolismo das religiões de matrizes africanas; para isso, os líderes religiosos da região estão participando ativamente desde a concepção do projeto. “Esse é um sonho que a gente está vendo nascer e vai ver erguido. Lembrei o pai Oscar de Oxalá que sempre pregou o sincretismo religioso e queria ver muito essa praça”, disse Fátima Zumbi, presidente do Comitê Lagoas do Norte, lembrando Oscar de Oxalá, morto ano passado e líder de um dos terreiros mais conhecidos da capital.
Para o Pai Beto Obaluaê, do bairro Nova Brasília, a ideia só vai engrandecer a cultura e a religião. “Fiquei muito feliz. Essa ideia é maravilhosa porque nossa cultura e nossa religião vão ganhar o reconhecimento que merecem. Vai ficar tudo muito bonito”, acredita o pai de santo.
Apesar de preocupada com a intolerância religiosa, Ingrid Gomes, filha do pai Adilton de Iansã, do bairro Itaperu, está entusiasmada com o projeto: “Fazia tempo que Teresina e o Piauí precisavam de um lugar que realmente valorizasse nossas raízes. É preciso que a gente dê um basta nessa intolerância religiosa, por isso ficamos felizes com essa iniciativa”, disse Ingrid, que é conselheira estadual do Conselho Nacional de Política Cultural, representando a cultura afro-brasileira.
De acordo com o diretor do Programa Lagoas do Norte, Erick Amorim, o objetivo é que as obras iniciem no segundo semestre de 2016 e terminem no final do ano. “Todos os pontos do projeto estão sendo discutidos. Eles pediram modificações e a arquiteta já vai providenciar. O importante é que todos se reconheçam na Praça dos Orixás”, ressaltou.







