Microempreendedores da região do Parque Lagoas do Norte discutiram, na tarde de ontem (08), a forma como percebem a violência em suas comunidades e em seus negócios. A discussão foi parte da oficina para elaboração do diagnóstico participativo da violência em Teresina, ministrada por representantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

“O objetivo é levantar informações sobre a situação de violência da cidade, especialmente das comunidades beneficiadas pelo Programa Lagoas do Norte; identificar temas prioritários, programas a serem fortalecidos e atores-chave a serem mobilizados; mapear os problemas e potencialidades locais; e apresentar lista de linhas de ações estratégicas com foco na prevenção à violência. Ao final do diagnóstico, a Prefeitura de Teresina terá um documento que oriente ações e políticas públicas no sentido de ajudar a transformar Teresina numa cidade mais segura e ainda melhor para se viver”, destacou David Marques, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

A empreendedora do ramo de alimentação Beronizia Gomes participou da oficina e ressaltou a importância de ouvir as comunidades: “É muito importante o poder público ouvir o cidadão antes de decidir que ações realizar. Nós, que estamos aqui na ponta, sabemos exatamente o que se passa. Em Teresina, a violência está em todos os lugares, todos nós sentimos isso diariamente. O encontro de hoje foi para nos ouvir. Isso é respeito à nossa história, às nossas vivências. Quando a ação do poder público parte do que a comunidade sente e sugere, tem muito mais chance de dar certo. Todos desejamos contribuir muito para melhorar nossa cidade”.

 

De acordo com a coordenadora social do Programa Lagoas do Norte, Conceição Ferreira, o diagnóstico deve mapear os problemas e potencialidades da zona Norte, analisar os dados dos delitos existentes e realizar uma escuta qualificada à população.

 

“As oficinas nos permitem ouvir a população, ponto imprescindível para compreendermos as manifestações de violência e para fornecer subsídios para a elaboração e a implantação de políticas públicas de prevenção e de enfrentamento à violência”, explicou Conceição Ferreira.

 

A coordenadora social do Programa Lagoas do Norte comentou ainda que a lista preliminar de possíveis ações a ser apresentada pelo diagnóstico será focada, sobretudo, nas categorias juventude e gênero.

 

“O objetivo do diagnóstico é conseguir um indicativo da vulnerabilidade social da região para, a partir de então, traçar planos de combate à violência. As categorias juventude e gênero serão trabalhadas mais especificamente, vez que os dados coletados junto às autoridades de segurança do Estado mostram que jovens e mulheres estão mais suscetíveis a sofrerem violência. Já realizamos uma oficina específica com os jovens e hoje (09) à tarde realizaremos um encontro com mulheres de toda a cidade, mas em especial as residentes na área de atuação do Lagoas do Norte”, completou Conceição Ferreira.

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